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	<title>dentes quebrados &#38; outras estórias perdidas</title>
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		<title>dentes quebrados &#38; outras estórias perdidas</title>
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		<title>&#8220;Eu &amp; os esqueletos esquecidos no armário&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Dec 2010 00:51:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Monólogo]]></category>

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		<description><![CDATA[ou &#8221;Como abraçar seus demônios e traçar o peru de Natal numa relax&#8220; - Ele tem o meu jeito todo, é parecido comigo&#8230; - Sei não, ele é a cara do Mardoque. Foi eu pisar em casa para a casa cair. Antes fosse o peso físico &#8211; só ganhei alguns quilos nos últimos três dias. Sim,&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/12/26/eu-os-esqueletos-esquecidos-no-armario/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=127&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>ou &#8221;Como abraçar seus demônios e traçar o peru de Natal numa <em>relax</em>&#8220;</h1>
<p><em>- Ele tem o meu jeito todo, é parecido comigo&#8230;</em></p>
<p><em>- Sei não, ele é a cara do Mardoque.</em></p>
<p>Foi eu pisar em casa para a casa cair. Antes fosse o peso físico &#8211; só ganhei alguns quilos nos últimos três dias. Sim, infelizmente, foi o peso da minha presença. Há quem diga que o fim de ano suscita uma porção de pendengas familiares. Nunca me ative a isso. Passei os últimos períodos de &#8220;festas&#8221; chapado fazendo a maior quantidade de sexo que meu corpo pudesse suportar. Outros tempos, camarada.</p>
<p>Em 2010, o compasso foi outro. A melodia seguiu em outra toada.</p>
<p><em>Não que este ano não tenha tido uma boa quantidade de sexo e garotas.</em> Até agosto, eu tentei comer tudo o que estivesse no raio de alcance da minha pélvis. Fiz algumas mulheres feliz &#8211; se procura por modéstia, você está no sítio errado.</p>
<p><em>Não que este ano não tenha tido uma boa quantidade de drogas</em>, mas foi bem menos do que em 2009. Primeiro, foi a seca de erva, polícia estourando uma boca aqui e outra ali. Depois o desinteresse, bateu cansaço, não queria mais viajar tanto.</p>
<p><strong>Aí veio São Paulo. </strong></p>
<p>E eu tive de voltar a dividir casa, comida e roupa lavada. Eu tive a felicidade de morar um ano completamente só. Mas essa &#8220;alegria&#8221; só veio depois de eu ter morado com umas 40 pessoas diferentes. Aí você vai querer dizer que é exagero e eu vou ter de te mandar tomar no cu. Morei em uma república que comportava até 15 pessoas e tinha um grande fluxo rotacional de pessoas (existe isso? ). Convivi com todos os tipos durante um ano. Depois teve apartamento com mais 5 por 3 meses e, enfim, solidão e casa própria. Silêncio e som alto até a hora de dormir. Cigarro de cuecas sentado no muro às duas da madrugada. Eu e as estrelas e o silêncio. O cheiro de dama-da-meia-noite enfestando o quintal. O canto dos passarinhos. O muro que se dilatava e estralava de noite, me assustando pra caramba. Tudo isso trocado pelo barulho ininterrupto de trânsito e o movimento frenético. Em Campinas, só minha pélvis se movia freneticamente.</p>
<p><em>Isso é um balanço de 2010? Você caiu nessa vibe fatalista auto-reflexiva-piegas-pau-no-cu? </em></p>
<p>Isso. Pintou a voz da consciência e agora eu posso soltar os demônios com prazer. Propósito surge e a gente segue na crista da onda. Cerveja gelada e headphones capenga tocando vozes femininas. Agora a bagaça irá fluir.</p>
<p><strong>Não, não caí na vibe fatalista auto-reflexiva-piegas-pau-no-cu de fim de ano. </strong>O que pegou aqui com o papai foi que a casa decidiu cair na minha cabeça assim que aportei em Londrina, pequena Londres para os íntimos de sua história. Foda e fodinha, tudo junto e embolada. Não vi em que buraco a pica entrou, só sei que ardeu.</p>
<p>Minha mãe é uma pessoa desequilibrada. Meu pai é um ser de extrema paciência. Eu sou o meio termo, geneticamente falando mesmo. Tenho destempero da minha velha, religiosa ardorosa. Tenho a calma frente ao desastre que meu pai exala. Quando a corda arrebenta, lembro minha avó &#8211; mulher de nervos voláteis, racional e igualmente explosiva.</p>
<p>Dia 23, pela manhã, o telefone toca. É dona Semiramis do outro lado. Minha mãe despeja o que considero verdadeiras obscenidades do outro lado da linha. Bato a merda do aparelho no gancho. Solto fumaça pelas orelhas, acendo um cigarro light e olho pro mato cada vez mais alto do Vale Verde. Minha mãe veio até a casa de minha avó e, num momento inusitado da minha vida, estamos os quatro, pai-mãe-avó-eu, tirando a poeira dos esqueletos do armário. Minha velha chora e entre um caralho e um abraço a coisa progride. Minha mãe é uma piradona. Se fosse mais velha, teria sido hippie, mas é crente, o que pra mim equivale de alguma forma a ser hippie. Todo aquele papo de amor e irmandade com gente mau vestida me lembra a vibe hipponga. E aquela parada do transe religioso é incrivelmente parecida com LSD. Eu sei porquê já usei os dois, mas isso é papo pra outra hora.</p>
<p><em>Em tempo</em>: <strong>Mardoque</strong> é meu falecido avô materno. Sujeito à moda antiga, belicista, ex-aeronáutica, rigoroso com a esposa e cheio de carinho pelos netos. Quando minha mãe engravidou de mim, aos 17 anos, ela fez as malas e saiu de casa sem avisá-lo. Meu avô só voltou a falar com ela quando nasci. Foi difícil aceitar o fato, mas não tenho como lutar: quando me olho no espelho, vejo sempre o velho Mardoque &#8211; quando novo, é claro.</p>
<p>Não sei se vocês sabem ao certo como funciona esse lance de esqueletos no armário. Mas é como cuidar de uma coleção de armas antigas. Você vai lá e tira a poeira do mosquete, limpa o interior do cano da parabellum. Tudo muito antigo, mas ainda capaz de ferir. A gente mexe pra saber que ainda funciona, que corta e fura &#8211; assusta. Quando o fedor das ossadas faz com que os narizes da sala de jantar se torçam de nojo, é hora de lixar os ossinhos, deixando tudo branco, limpinho. Polidos.</p>
<p>Pois bem, realizei a tal da limpeza após 14 anos. Data exata que as quatro figuras mencionadas lá em cima não dividiam o mesmo espaço. Entre alguns feridos, me sobrou o tédio colossal da roça que essa cidade veste pra se exibir pra mim. Puta merda, que desgosto. Me resta essa cerveja gelada e os sons de San Pablo Escobar comendo no iTunes.</p>
<p><strong>Pausa reflexiva.</strong></p>
<p>Estive pensando sobre escrever. Um baita dum tempo se passou entre o último texto e esse. E a regra por aqui é clara: se o pau não sobe, o texto não sai. Se estou tendo uma ereção nesse exato instante? Não de forma física. Digamos que meu falo interno está afim de uma foda de reconciliação &#8211; e despedida. Vou dar um tempo, transar novos ares. Não que vá fazer falta. Não que vá deixar buraco aberto &#8211; coisa que nem gosto, buraco é pra ser tapado, rapá.</p>
<p>A música tem consumido uma boa parte de minha carga criativa. E eu sinto menos vergonha de minhas canções do que meus textos. Por isso vou investir em acalmar as vozes na minha cabeça que insistem para que eu sente a bunda na cadeira e escreva canções. Aí, quem sabe, daqui um tempo eu não volte a escrever. Ou volte para mostrar essas cancionetas nesse sítio. Pensei nessa coisa multimídia descarada, o site é meu e aqui meto o que me apetecer.</p>
<p>Pra terminar: <strong>sobrevivi a 2010</strong>. Foi difícil pra caralho, me fodi como nunca. Meu rabo ardeu, maninho. Só espero que o próximo ano entre com um pouco de cuspe pelo menos, quiçá um KY. E um beijinho na boca. Beijo na boca nem custa tanto assim, não é verdade?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/127/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/127/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/127/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=127&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>San Pablo Escobar, uma ode</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Nov 2010 02:58:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Monólogo]]></category>

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		<description><![CDATA[São quase 23h, a cerveja não está exatamente gelada e a cidade urra. São Paulo é uma parada diferente. Sempre vi grandes cidades como organismos vivos, não dá pra contrariar essa ideia, elas realmente o são. Mas São Paulo transgride esse conceito, praticamente o estupra – enraba fundo o paradigma da coisa toda. Blow your&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/11/13/san-pablo-escobar-uma-ode/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=121&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>São quase 23h, a cerveja não está exatamente gelada e a cidade urra.</h1>
<p>São Paulo é uma parada diferente. Sempre vi grandes cidades como organismos vivos, não dá pra contrariar essa ideia, elas realmente o são. Mas São Paulo transgride esse conceito, praticamente o estupra – enraba fundo o paradigma da coisa toda. <em>Blow your mind away</em>. São Paulo urra como um orgasmo violento, frenético e que não cessa. Concessão?  Em São Paulo não.</p>
<p>Tem figura que diz que “Sampa é tão New York, mano”, mas nem é. Nova Iorque não tem milícia, arrastão em condomínio de luxo e busão incendiado. Se Tóquio também não para, São Paulo é esse vômito contínuo. No ocidente, talvez só Cidade do México se equipare, se valha da mesma obsessão pela tragédia. Sim, essa cidade se alimenta, valoriza a própria tragédia, reprocessando tudo o que acontece em seu mapa sinuoso numa expressão singular de beleza e desencanto. Ordem no caos? Talvez só São Paulo chegue perto.</p>
<p>A megalópole paulista não tem nada de amor, é pura paixão. É a passionalidade em estado bruto. E bruto no sentido mais visceral que a coisa toda pode ter. São as vísceras de mais um incauto que se jogou nos trilhos do metrô. São os miolos de mais um pequeno e almofadado burguês no estofamento de um carro parado, mas com o motor ligado no sinal vermelho. É a sinaleira vermelha te convidando como Lou Reed, <em>“hey, honey, take a walk on the wild side. </em>Gosto pelo desgosto? Coisa que só essa cidade oferece.</p>
<p>San Pablo dos pichadores viciados em adrenalina, de motoboys igualmente viciados, das torcidas organizadas e da apoteoso violenta dos estádios. Lealdade, humildade e procedimento no asfalto quente e no céu de Gotham City. Da beleza das gurias tão independentes. Da rispidez dos rapazes tão pragmáticos. Das bichas e dos veados. Das namoradas. Michês e putas na Augusta, no bordel vertical, saunas e casas de massagem de tantos lugares, tantas praças lúgubres. Dos loucos e deles – nós, os nordetisnos.  São Paulo dos manos e das minas. Se por aqui há ouro? O mais puro ouro de tolo.</p>
<p>Nas capitanias de São Vicente o bobo se funde ao espertalhão. O mané anda na cola do estelionatário e o tempo é o maior dos agiotas. Aqui a parada é diferente, o baguio doido e a vida loka. Concessão? Em São Paulo não. Tem que ter gosto pelo desgosto para conviver com seus constantes pedidos de socorro e seguir impassível. Love no neon e só no neon. <em>“Death or glory”</em> dos desavisados e dos ávidos por informação. <em>Spoken word</em> no vento da madruga paulistana, subúrbio após subúrbio. São Paulo é tão Chicago durante a lei seca, mas sua seca é outra. Aridez que se interrompe de tempos em tempos pela tão falada garoa. Chuva ácida em São Paulo? Não há nada aqui que não dê azia.</p>
<p>São as sirenes, São os helicópteros, São as marginais abarrotadas. É o caos das 18, das 19 horas. A incerteza de chegar, o impulso rompante de ir e entrar n’umas. A voz abafada nas caixas de som do metrô, nos vagões “mata-garrote” de tantos bois de piranha da CPTM. Ninguém vale o que come. Se é o que se pode ser e não mais que isso. Quem dorme em São Paulo? Ninguém. São Paulo não dorme, a cidade não cessa, o desejo não para.</p>
<p>Promessas e mais promessas de amor eterno jogadas pelos vãos de tantos viadutos. Existe amor em São Paulo? Ao menos no neon existe Love até mais tarde.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/121/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=121&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um monólogo do caralho</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Nov 2010 21:29:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O falatório toca mais ou menos nessa toada: O homem-comum, espécime essa que, definitivamente, não está em extinção, se divide em Rôla, Estômago e Coração. Tem mulher que jura que encontrou um mano diferente &#8211; &#8220;bobinha&#8221;. Se o teu namô usa o cérebro para algo além de calcular os movimentos que irão te levar pra&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/11/10/um-monologo-do-caralho/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=111&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>O falatório toca mais ou menos nessa toada:</h1>
<p>O homem-comum, espécime essa que, definitivamente, não está em extinção, se divide em <strong>Rôla</strong>, <strong>Estômago</strong> e <strong>Coração</strong>. Tem mulher que jura que encontrou um mano diferente &#8211; &#8220;bobinha&#8221;. Se o teu namô usa o cérebro para algo além de calcular os movimentos que irão te levar pra cama, um aviso: é &#8220;de certeza&#8221; que o rapaz já contestou a própria sexualidade. Veja bem, não estou alegando que Vitor é Vitória, tô jogando uma real. O colega aí já relevou, e relevar é considerar a possibilidade. Disso pra trocar de time é um passo &#8211; pequeno ou grande, é um passo. Seria um problema? Só pra você, mina. Pro teu namô poderia ser uma baita alegria &#8211; isso se ele não se tornar um desses enrustidos de dar dó. Cada um dá o que  pode, mesmo que seja o bóga.</p>
<p>A pica vem em primeiro plano, é via de regra e a regra nos é cara: <strong>pau no comando. </strong></p>
<p>O colega leitor há de convir. A colega leitora há de rezar por dias melhores. Não tem mistificação, &#8220;cagação de regra&#8221;, nem falocentrismo. A parada é dura e rija. O companheiro pênis é quem dá as diretrizes. A mina julga que o mano tá na dela, curtiu o papo e as ideias. E a matraca não para, até os rapagões surdos sabem que mulher é tagarela. Deixa falar até dispersar o falatório. O cérebro masculino tem a função &#8220;mute&#8221; bem resolvida. E saber ouvir uma mulher é um dos melhores atalhos que existem pra ação, vulgo <em>metelança</em>. O nível tá baixo? Então se segura malandro. Aqui a tendência é rolar ladeira. Afinal de contas, ralação anda na cola de felação. Uma coisa resulta da outra.</p>
<p><em>Mas, vem cá, quer dizer que homem sensível é pura falácia?</em></p>
<p>Nem é, nem é. Homem sensível é o camarada que começou a ler o parágrafo anterior e nem precisou chegar ao fim pra saber qualé a boa do dia. Sensibilidade é malandragem bem curtida, sacada. Sensível é o cara que sabe ouvir a mulher, é bom no manejo, manja? O fim justifica os meios e cada um tem sua própria estratégia. O importante é que fique claro que, independente de estilo, quem manda é o falo. E essa é a beleza da coisa, o tirar sem por. Pegou, papai?</p>
<p><em>Pera lá. Seguindo esse raciocínio maroto, a mulher se dá bem pra caramba. Ela te um cara que ouve tudo o que ela fala e que ainda corresponde ali na chincha. </em></p>
<p>Pera lá, meu pau [sic]. Onde diabos foi que eu deflagrei uma guerra de sexos nesse testículo? Não mandei uma real do tipo &#8220;macho x fêmea&#8221;. Apenas estou descrevendo de forma muito paticular o comportamento sexual masculino. Ou seja, uns 90% de tudo o que o homem pode comportar. Não é machismo, não é achismo. É a natureza do homem-comum. Natureza essa que a mulher faz questão de perceber e enfatizar somente quando sua cabeça está enfeitada ou sua xota enfestada dalguma zica comum aos pintos que pintam e bordam no lixo. Ninguém aqui mandou um &#8220;bora arrombar geral&#8221;. Nada disso, camaradinha. Isso aqui tá mais pr&#8217;um serviço prestado à mulherada. É de coração.</p>
<p><em>Falando nisso, onde é que o coração entra nessa peleja?</em></p>
<p>Pergunta pertinente. Qual a função do coração? Não é bombear a porra do sangue? Então. Se o coração para, o pau não sobe. Ou você realmente pensou que eu iria jogar umas ideias erradas sobre sentimentos e aflições masculinas?</p>
<p><em>Filho da puta. E o estômago?</em></p>
<p>Dizem que as duas melhores coisas da vida são &#8220;comer&#8221;&#8230;</p>
<p><em>Simples assim? A pica manda, o coração bombeia o sangue e o estômago tá ali pra assentar a lara?</em></p>
<p>Chegamos onde eu queria chegar. O homem-comum é um dos seres menos providos de função em toda a fauna. De fato, deve ser um dos mais simples &#8211; se não, o mais simples, papo de simplório mesmo. Um caracol me parece mais complexo, sabe? Um molusco desmembrado deve ter mais funções. O homem-comum é cúmulo da simplicidade. E é isso que as mulheres não querem aceitar. Elas sonham com uma porção de coisas, projetam uma tonelada de desejos totalmente pessoais no macho, quando que o macho se preocupa apenas do que é imprescindível na vida: comer. Pura e simplesmente. Não é machismo, tão pouco falocentrismo. É a vida como ela é. E a vida é dura feito uma ereção num guri de 20 anos provocada por um Viagra.</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
<p>Ah! Lembrei do resto da piada. Depois das duas melhores coisas da vida, quais seriam as quatro melhores coisas da vida?</p>
<p><em>Não faço picas de ideia&#8230;</em></p>
<p>Comer e viajar. E veja só a beleza que a vida nos proporciona. Temos aqui um uso para o cérebro masculino que não o sexo: as viagens psicotrópicas. E dentre os psicoativos mais comuns, temos toda uma variedade de plantas que compõe a família cannabis, que entre seus efeitos faz o coração bombear como nunca. É uma autêntica vasodilatadora. Pegou essa?</p>
<p><em>Peguei. E é bom pra mulher também? </em></p>
<p>Certamente. Mas rezam as línguas dormentes que as mulheres ficam &#8220;daquele jeito&#8221; com coca. Na minha humilde opinião, o que as mulheres mais curtem no barato do pó é a licença poética pra falar pra caralho. Nessas horas, meu amigo, sinta-se à vontade pra dar uma carreira.</p>
<p><em>Fugir?</em></p>
<p><strong>Run to the hills!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>PS1: </em></p>
<p><em>Se você leu essa porcaria de texto até o final, percebeu que em alguns pontos ele é um tanto inconclusivo e que vários argumentos foram abordados de uma forma completamente débil e rasa. Mas, ei, eu escrevi essa merda toda sóbrio, ok? A ideia de eleger um personagem, esse tal &#8220;homem-comum&#8221;, abriria precedente para a exploração de outros tipos de homem? Talvez. Mas eu teria de ser muito bicha pra perder tempo falando isso e aquilo de outros machos, puta merda. Não viajem, não tentem foder a coisa toda imputando uma responsabilidade que não me cabe aqui. Eu não vou me aprofundar em porra nenhuma. Não tô nessa vibe. Eu estaria traindo minha condição de homem-comum fazendo algo além disso. </em></p>
<p><em>PS2:</em></p>
<p><em>São 6 (seis) as melhores coisas da vida: comer, viajar e fazer merda. Esse texto contempla várias delas. Agora diz que eu sou um puto que não sabe pra onde está atirando, espertalhão. Nos vemos no inferno. </em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/111/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=111&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Escarro &#8211; Verbo &amp; Substantivo</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 17:50:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Monólogo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não recebi e-mail, ninguém me mandou um SMS. Nenhum transeunte se atreveu a me parar na rua e nenhum parente distante me telefonou. Não fui cobrado, questionado ou arguido. A pausa nas postagens não foi comentada ou sentida, apenas se deu. Aconteceu e não reverberou &#8211; como era de se esperar. Consenti e na minha&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/10/21/escarro-verbo-substantivo/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=99&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>Não recebi e-mail, ninguém me mandou um SMS.</h1>
<p>Nenhum transeunte se atreveu a me parar na rua e nenhum parente distante me telefonou. Não fui cobrado, questionado ou arguido. A pausa nas postagens não foi comentada ou sentida, apenas se deu. Aconteceu e não reverberou &#8211; como era de se esperar. Consenti e na minha pequenez abracei os fatos: não me faço querido. Aquele amigo de infância nada me disse. As conversas de bar passaram longe dessa pauta. Não tive de me esquivar, mudar de assunto ou desconversar. E isso muito me agrada. Satisfação só se dá na cama, e com prazer.</p>
<p>Não sou lá muito chegado em obrigações. E pra mim, sujeito pago pra criar e escrever, fazer o mesmo sem ser remunerado demanda um punhado de vontade &#8211; ou um desejo mínimo de quebrar com minha escrita. Pura necessidade de ruptura. Bonito, né? Dizer que, pra mim, a escrita livre parte de uma necessidade de dar com o pé na porta da normalidade. A coisa toda se vai por aí e por caminhos menos nobres.</p>
<p>E lá se vão três meses em São Paulo. No vai-não-vai de escrever ou não, muita coisa se passou. E nunca disse que isso era diário ou algo que o valha. &#8220;Monólogo&#8221; é espaço aberto à divagações e nada maior que isso me interessa agora. Mas, veja só, estive na merda por uns dias &#8211; lugar conhecido e familiar. Agarrado aos meus toletes, fermentei uma porção de ideias cabulosas. E disso nada de bom haveria de sair, convenhamos. Levantar da cama e lançar mão de um &#8220;foda-se a geral&#8221; foi complicadin. Mas fossa a fossa o homem se caleja, quem se aplica na viração sempre dá um jeito. E pra quem tem coração de gato de rua, a lata de lixo já virou paisagem, se passa temporada e tudo o mais.</p>
<p>De tanto pagar de esperto tomei uma bela d&#8217;uma rasteira. Abaixei a guarda cruzada de pugilista, dei ideia pra quem num devia e acabei nocauteado. Acontece com os melhores lutadores. Se bobeia e lá vem o uppercut, as luzes que giram e o sino estridente. Ring! Ring! Ring! Punho pro alto e não é a minha luva que o juiz está a exibir pr&#8217;os presentes. Nocaute, maninho. Se dá e se leva, é nisso que o jogo se preza. Levar e revidar. Mudam-se os lados. Levar e revidar. Num dia se bate, no outro se aceita a sova. E eis que me baixou o chicote e o chicotinho. Abracei o flagelo como o bebum se agarra na garrafa. Curti o castigo, mas considero minha dívida paga. Contas acertadas.</p>
<p>Mudam-se os lados, é hora do revide.</p>
<p>Segue o jogo e as regras se fazem claras. A cada rodada perdida, temos um dente quebrado. Dados combinados implicam n&#8217;um novo passo, um novo risco a ser assumido. E eu, que me acostumei a seguir no piloto automático do caos, ganhei uns dias pra relevar. Relevei &#8211; é hora do revide. Mudam-se os lados da gangorra. Estando em cima, faço valer a vista privilegiada. Reparo bem o alvo, puxo o catarro quase que n&#8217;um gargarejo e dispenso a cusparada.</p>
<p>Estou de volta? Os dias se ocuparão de dar a resposta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/99/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/99/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/99/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=99&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Em Busca da Sobriedade Perdida</title>
		<link>http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/09/28/em-busca-da-sobriedade-perdida/</link>
		<comments>http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/09/28/em-busca-da-sobriedade-perdida/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Sep 2010 14:01:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Monólogo]]></category>

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		<description><![CDATA[Um texto sóbrio para pessoas bêbadas &#8220;Idade?&#8221; 25. &#8220;Fuma?&#8221; Pode apostar. &#8220;Quanto?&#8221; Um maço por dia? &#8220;Bebida?&#8221; Aceito &#8211; é claro que  não dei essa resposta, mas vou guardar pra próxima vez que for ao médico. Outra possibilidade seria indagar se o doutor conhecia alguém que fuma, mas não bebe. Complicado. Bebo socialmente &#8211; isso&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/09/28/em-busca-da-sobriedade-perdida/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=87&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1>Um texto sóbrio para pessoas bêbadas</h1>
<p><em>&#8220;Idade?&#8221;</em></p>
<p>25.</p>
<p><em>&#8220;Fuma?&#8221;</em></p>
<p>Pode apostar.</p>
<p><em>&#8220;Quanto?&#8221;</em></p>
<p>Um maço por dia?</p>
<p><em>&#8220;Bebida?&#8221;</em></p>
<p>Aceito &#8211; é claro que  não dei essa resposta, mas vou guardar pra próxima vez que for ao médico. Outra possibilidade seria indagar se o doutor conhecia alguém que fuma, mas não bebe. Complicado.  Bebo socialmente &#8211; isso mesmo, eu menti parcialmente, mas depois emendei um &#8220;duas ou três vezes por semana, mas quando bebo, bebo bastante&#8221;.</p>
<p><em>&#8220;Drogas?&#8221;</em></p>
<p>(&#8230;)</p>
<p><em>&#8220;(&#8230;) ?&#8221;</em></p>
<p>Fumo &#8211; deixei a resposta solta no ar. Cigarro é uma baita droga, não?</p>
<p>Não me lembro quando havia tido com um médico pela última vez. Acho esse tipo de experiência moralmente desgastante para quem leva uma vida desregrada. Se não dou satisfação aos meus pais, por que haveria de dar para um estranho? Mas só para me divertir com o semblante de espanto do doutor procurei ser transparente quanto minha falta de responsabilidade. Poderia ter lançado um digníssimo &#8220;é o rock, doutor&#8221;, mas, vejam só, o coroa estava realmente preocupado.</p>
<p><em>&#8220;Estou preocupado com você, rapaz&#8221;</em></p>
<p>Você deveria se preocupar com sua calvície, doutor. Ou em arrumar um emprego melhor. Não sei analisar piroca durante todo o dia é a carreira dos sonhos de algum sujeito com amor próprio. Depois, dando uma boa sacada na careca do doutor, me lembrei do Serra e tive uma súbita vontade de lhe cobrir de couro e descer o chicotinho. Passou.</p>
<p>Passei uns dez minutos ali com o figura me encarando como se fosse um paciente terminal. Médico gosta de botar medo nos pacientes. &#8220;Tá vendo aquele diploma na parede? Significa que você é um homem morto&#8221; ou algo do tipo. Enquanto ele digitava umas bobagens na minha ficha, um silêncio póstumo inundava a sala. O sujeito me passou uns exames, me garfou cento e cinquenta pratas e me mandou pra casa. Cara esperto.</p>
<p>No caminho de casa, não tive dúvidas, comprei umas cervejas para relaxar depois de ter tido as partes baixas revistadas por um outro macho. Entre a sensação de ter sido molestado e o foda-se, preferi a segunda e mais cômoda. &#8220;Foda-se, vou beber&#8221;. Foram quatro dias de bebedeira. E olha que o prognóstico havia sido positivo. Não me dou com a medicina. Ao fim da bebedeira senti uma imensa vontade de ficar sóbrio por um bom tempo &#8211; tempo esse que não dura mais de quatro ou cinco dias.</p>
<p>Sabe, eu tenho essa coisa de não me privar do que a vida me oferece de divertido. E, não raro, prego esse tipo de postura para pessoas próximas e nem tão próximas assim. Culpa? Jesus morreu na cruz pelos nossos pecados. <strong>Tá perdoado, tá tudo perdoado!</strong> Vamos nos divertir. Só não vamos compartilhar seringas. Seringa me lembra médico, exame, hospital&#8230; Tudo muito brochante. Vamos ficar só no cigarrinho, na cervejinha e na surubinha de fim de semana.</p>
<p><em>&#8220;Estou preocupado com você, rapaz&#8221;</em></p>
<p>E eu estou preocupado com a seguinte matemática: quantos tubos de KY são necessários para enfiar a sua careca no seu rabo, doutor? Me deixa na minha, tenho o direito de escolher como quero morrer. Os vermes precisam se alimentar e existe um bocado de proteína fresquinhas nesse bucho daqui. Sabe do que tenho medo? Passar por essa vida sem ter cometido todos os excessos que considero pertinentes. Se não, estaria do outro lado da mesa apontando quem vive e quem morre por conta de um quadro pendurado numa parede cheia de infiltração.</p>
<p>Agora, vendo e revendo essa situação, percebo que houve um embate quase épico de ideologias. Eu na minha posição de proto-junkie e o doutor na sua empáfia, a careca lustrada e o diplominha na parede. Um abraçando os excessos e o outro querendo prolongar um estilo de vida burocrático, um <em>fair play</em> de bichinha, medo de pular na frente do trem. Pode crer que irei morrer, doutor. Talvez viva menos ou mais do que julga sua pederastia velada. Mas quer saber? Ao menos eu não gastei minha vida segurando a piroca mole dos outros. Rá!</p>
<p>Paudurescência, doutor. <strong>Paudurescência sempre.</strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=87&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Faça Inimigos</title>
		<link>http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/09/09/faca-inimigos/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Sep 2010 17:33:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Monólogo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem à noite, estava eu indo dormir levemente ébrio quando tive um desses vislumbres de bêbado metido à artista. Pensei em um texto, uma dessas ideias vagas sobre um mote pra discorrer. Me parecia deveras pertinente, porém, quando acordei, me esqueci completamente qual era a milonga da vez. E antes de me aprofundar na presente&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/09/09/faca-inimigos/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=71&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem à noite, estava eu indo dormir levemente ébrio quando tive um desses vislumbres de bêbado metido à artista. Pensei em um texto, uma dessas ideias vagas sobre um mote pra discorrer. Me parecia deveras pertinente, porém, quando acordei, me esqueci completamente qual era a milonga da vez. E antes de me aprofundar na presente sacanagem, me permito abrir aqui um breve parêntese.</p>
<p><em>Será que sou a única pessoa que nutre um desconforto ao praticar uma IDEIA sem a porcaria do acento agudo? Na minha concepção quase anárquica de quase ignorar a gramática sinto que estou a repetir IDÊIA, ao invés do familiar e incisivo IDÉIA, agudíssimo na sua missão de espetar cérebros desatentos &#8211;  como o meu. Ok, eu sei que esse foi um parêntese quase desnecessário, mas o que não o é neste sítio?</em></p>
<p>Agora vou voltar pra premissa original que, caso você não saiba, se resume basicamente ao título e uma vaga IDÉIA do que deve ser escrito. Idéia essa acentuada pelo peso do sinal gráfico, aguda e incisiva como um <em>straight </em>do Mike Tyson na fase áurea. Vamos direto ao ponto.</p>
<p><em>Sabe o que acho uma porcaria? Ficar gastando munheca como se eu soubesse o que estou &#8220;falando&#8221;. Procuro criar todo um embasamento, abuso de um escrita pomposa cheia de expressões pra enriquecer a leitura &#8211; essa tentativa de respeito às normas cultas. Não se engane. Estou apenas distraindo você, caro leitor, que chegou até este ponto bravamente. Tento ganhar tempo para descobrir que caralho vou escrever sobre o título e a ideia aguda. Esse parece ser mais um parêntese desnecessário, mas pense bem. Estou te dando a chance de desistir nesse ponto. Você pode dar meia volta, abrir o globo.com, pesquisar por topless e ter alguns minutos de puro deleite, quem sabe até investir numa bronha. Não sei se o resultado da punheta de cá resultará naqueles 8 segundos de olhinhos virados. Daqui pra frente, você assume sua cota de risco. É cada um por si e o meu na reta. </em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<h1>&#8220;Faça Inimigos &#8211; Você já tem amigos demais&#8221;</h1>
<p><span style="font-weight:normal;font-size:13px;">É muita conversa mole e tapinha nas costas. Uma porção de pormenores divididos em encontros casuais, um falatório dispensável sobre sua vida, uma exposição desnecessária praticada por respeito e simpatia. P-A-U-N-O-C-U. Você precisa de mais inimigos &#8211; e eu também, todos nós precisamos. Você pode, garotão. A menos que você tenha vocação pra cavalo, que a todos mostra os dentes e se permite receber arreios e ser montado. Treine a carranca, o dedo médio, deixe tantos &#8220;sim&#8217;s&#8221; de lado e faça rolar o NÃO. Seja radical, seja estúpido, fale umas coisas que ninguém quer ouvir. Tá bom dessa permissividade, desse medinho de ser mal-interpretado. O Capeta é mais.</span></p>
<p>Olhe ao seu redor e reconheça: <strong>o mundo está uma grande merda</strong>. E sabe o que você pode fazer pra tentar mudar essa situação? Ser mais cuzão, nadar de punhos serrados contra a maré de boa vontade que inunda o real e o virtual. Cada braçada é um soco, cada pernada um pontapé. O que a hipocrisia nos deu até hoje? A igreja, buracos na camada de ozônio e uma diversidade interminável de cânceres.</p>
<p>Faça piadas com negros, bichas e judeus. Faça inimigos. Quando alguém lhe entregar um sorriso de grátis, devolva indiferença e maus modos. Tenha inimigos, seja essa arrogância. Bata no peito com orgulho e diga em alto e bom som: <strong>sou filho da puta</strong>. Grite a plenos pulmões pra todo mundo ouvir um &#8220;vá tomar no cu, caralho!&#8221;. Você pode, o Diabo é o Pai.</p>
<p>Não tem que salvar o mundo, não tem que reflorestar, não tem que se desenvolver de forma sustentável. Sustentável tem de ser sua cara feia. Permaneça quieto, frio e avance na jugular. Tenha dentes e unhas, tenha os ossos da mão perfilados, pronto pra atacar. Chega de passividade. Faça inimigos. Quando lhe derem um abraço, dissimule, finja aceitar. Quando a presa estiver desatenta, cabecinha no seu ombro, largue a mais sincera dedada que seu indicador puder oferecer ao rego desprotegido e relaxado. Vá fundo, seja esse espírito de porco.</p>
<p>Faça isso por você. Você pode, você merece. <strong>Faça inimigos</strong>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/71/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/71/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/71/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=71&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tô cagando literalmente</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 18:17:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Monólogo]]></category>

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		<description><![CDATA[Um retrato do &#8220;artista&#8221; quando de saco cheio do &#8220;leitor&#8221; Bora disparar o falatório. Hoje, como a maioria do dias da minha vida, não tô pra fazer média nem mostrar os Dentes à toa. Não tem raiva, não tem ódio. Não tem a danada da hipocrisia &#8211; velha safada e muito curtida. Tomo partido e&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/09/02/to-cagando-literalmente/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=48&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Um retrato do &#8220;artista&#8221; quando de saco cheio do &#8220;leitor&#8221;</h2>
<p>Bora disparar o falatório.</p>
<p>Hoje, como a maioria do dias da minha vida, não tô pra fazer média nem mostrar os Dentes à toa. Não tem raiva, não tem ódio. Não tem a danada da hipocrisia &#8211; velha safada e muito curtida. Tomo partido e assumo meu lado, que medo de porrada nunca tive. Julgamento se faz, crítica se engole &#8211; alguns preferem cuspir &#8211; e cara feia se amarra e se desfaz. Escrevo, sim, e vou vivendo. E me permito aqui justificar uns quês e porquês. Vai agradar? Não sei. Mas num esforço bem folgado, vou deixar rolar a ideia. Quem sabe não chegamos num acordo camarada?</p>
<p><em>Vai começar a cagação de regra? </em></p>
<p>O discurso é reto e, embora, até certo ponto, distraído, procura ser objetivo. Digo e repito: cada um na sua e o caos nas ruas. Tire suas próprias conclusões. Vou partir do princípio que não tenho embasamento pra escrever. Essa é a grande verdade. Sou leitor de banheiro, não troco nada por um livro. Como leitor sou um católico que não pratica. Como punheteiro de palavra sou pura prática. É tentativa e erro, mais erro que acertos. Malho a munheca com gosto, socando com força, até que esteja totalmente descabelado o palhaço &#8211; que, no caso, sou eu.</p>
<p><em>E vai ficar falando assim na primeira pessoa nesse lance super ególatra? </em></p>
<p>E apois. Porque, quem quiser, lê, quem não quiser, não lê, e não tem essa de beicinho, birra e uruca. Ficamos na santa paz enfumaçada de Jah. A coisa toda é um grande exercício. E bota aí que tudo parte de um pressuposto hedonista, porque escrevo quando isso me dá tesão. E o que é que vale a pena sem tesão? O mundo já nos oferece sua carga de frigidez, cabe a cada um encontrar prazer naquilo que lhe faz gosto. O que não vale é ficar sem o suspiro e aqueles 8 segundos de satisfação. Tô pregando o prazer sem pesar, sem pêsames, de uma forma indiscriminada. É safado, é sacana, é bonito. Valeu?</p>
<p><em>Valeu. Mas se justificar é coisa de bicha.</em></p>
<p>É e num é. A parada é que eu não sou ninguém pra aparar as arestas. A coisa vai ficar meio feia, vai ter uma sobra aqui e outra acolá, umas pontas soltas e alguns buracos. A intenção é meter fundo, bater lá no útero, o âmago da criação (quase vomitei em mim mesmo agora). É essa baita veadagem da metalinguagem. Meu processo de criação é open source. Pode ver e querer meter a mão, na minha cara ou na escrita. Tanto faz. É tentativa e erro. Pode dar certo, pode não dar. Pode dar namoro &#8211; ou não.</p>
<p><em>Papinfurado. Sai do armário, irmão. </em></p>
<p>Possa crer, vossa excelência, pai celestial do caralho a quatro. Como havia dito, o Dentes surgiu como ideia prum livro de contos, mas que nem precisa ser um livro. Pode ser um blog. E nem precisa ser bom, porque, se for ruim, tô na média. E na média, você sabe, passa de ano também. Se bem que eu me formei passando no conselho de classe, última investida pra quem tá ali pra ser reprovado. Meus professores olhavam meu histórico e discutiam &#8220;o Leo é caladão, na dele. Não interrompe a aula, não enche. Pra quê reprovar o rapaz?&#8221;. Não tenho orgulho disso, mas também não tenho vergonha. Vergonha deveria ter você que decorou a tabela periódica certo de que isso te faria inteligente e divertido na mesa de bar. Pra você, ó, um sonoro pega aqui &#8211; juntando a mala com vontade.</p>
<p><em>Aloka.</em></p>
<p>Seja o que vier, me atirem o que quiser. Vou tocar o bordel e ninguém vai me segurar &#8211; nem a PM! Se o negócio cansar, perder o frescor e a graça, é o gerente quem decide a hora de baixar as portas. Conheço uns puteiros sujos, mal frequentados, com putas velhas que mais parecem espíritos desencarnados que não sabem a hora de vazar, que simplesmente não fecham. São o tipo de coisa que fazem parte da paisagem e estão tão intimamente ligados com o contexto, não perdem sua razão de existir. E isso é tudo que almejo. Poder ser ignorado e prosseguir, ficar na minha e passar no conselho. Meu blog é caladão, na dele, não fede e nem cheira. Pra quê reprovar o coitado. Deixa a piroca seguir e sejamos felizes, <em>cada um na sua</em> &#8211; a antiga propaganda de Free é quase um manifesto, minha bandeira de bolso pra hastear por aí.</p>
<p><em>PS: A Talita, minha homemate, fez a gentileza de corrigir esse texto, afinal de contas, eu, que nunca fui um bom aluno, não poderia deixar de surrar a gramática. </em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=48&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Conluio</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 15:13:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estórias Perdidas]]></category>

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		<description><![CDATA[O sujeito &#8216;tava ali no canto, minguado. Cara de poucos amigos, se entretinha com algo que poderia ser um caderno de jornal, umas páginas avulsas. Daqui do meu posto, mal o via. Pudiria ser qualquer coisa ali nas mãos dele. Certo é que o sujeito amarrava a cara, serrava o bico e punha os olhos&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/08/31/37/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=37&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sujeito &#8216;tava ali no canto, minguado. Cara de poucos amigos, se entretinha com algo que poderia ser um caderno de jornal, umas páginas avulsas. Daqui do meu posto, mal o via. Pudiria ser qualquer coisa ali nas mãos dele. Certo é que o sujeito amarrava a cara, serrava o bico e punha os olhos no papel, encolhido. Não fazia mesmo o tipo que tinha amigos. Sabe, bar é lugar de quem busca alguma atenção &#8211; eu pelo menos acho isso. E o figura ali é do tipo calado, pediu uma média e se encerrou no próprio mundinho. Não que seja de meu interesse, essa porra não me apetece, nem é p&#8217;ras minhas fuças. Daqui do meu posto, pouco faço no meu papel de cativo no balcão. Às vezes ajudo a servir um ou outro, passo um pano na mesa, tudo por camaradagem ao dono do bar. Nada além disso.</p>
<p>Mas veja só, essas coisas me intrigam. O camaradinha &#8216;tava ali muito ligado naqueles papeis e isso me dava uma coisa por dentro. Não que isso me tirasse partido, mas me botava ali na cuca umas ideias daquilo. O Seu Chico puxou corda pra rodada de ontem. Aí, de repente, se fez o burburinho no balcão. E, olha, ali tinha de tudo quanto é torcedor, time da capital e dali, do interior. Se fazia piada, se contava vantagem &#8211; quem podia &#8211; e estranho não era o bate-papo descambar pro discurso inflamado. Mas havia ali um respeito. Um lançava um &#8220;bicha&#8221;, fulaninho discordava com um &#8220;arrombado&#8221; estridente e ficava por isso mesmo, que ninguém &#8216;tava pra sacanear o negócio do Seu Chico. Mesmo o Osvaldão, malandro encarnado e cheirador convicto, dava descanso pra navalha, essa que tinha mais história do que aparição pública, pra não comprometer o andamento da noite. Porrada mesmo só havia quando o Chicão era atravessado por um bebu folgado. Eu mesmo já vi o coroa fulo expulsando alguns a pontapé e safanão. Mas quem me atravessava agora era o sujeito entretido nos papeis. Que porra o maluco via naquele monte de letra miúda que era tão interessante?</p>
<p>Não sou de me chegar em quem não tenho intimidade, mas o camaradinha ali pedia explicação. Não que aquilo fosse alguma falta de manejo. Nunca tinha visto o figura, não me parecia assíduo aqui no buraco. Mas é que, sabelá Deus, me dava um mal-estar ver o sujeito ali parado fazendo pouco caso do ambiente. Será que ninguém ali era bom o suficiente pra cativar dois dedos de prosa, uma conversa-fiada que fosse? Nego &#8216;tava se achando mais do que pudia? Nem sei. Tentei ficar na minha que essa não me cabia. Mas vá falar isso pra diabinho que se chega na orelha quando tu &#8216;tá meio torto, uns copos a mais e umas ideias a menos na cabeça. E o tal diabo, no caso, tinha nome. Ou melhor, apelido. O Professor era cativo ali do balcão, assim como eu e mais meia-dúzia. Nem sempre o circo &#8216;tava completo, mas sempre se reconhecia três, quatro rostos familiares em volta do Chico e do falatório que se estendia até noitinha. Quando dava na cabeça de fechar, Chico descia as portas de ferro e cada um seguia seu caminho sem mais. Via os vultos seguindo calçada abaixo e rua acima. O conluio se dava no bar e somente no bar, não havia mundo fora disso. Nem intimidade nem nome de filho.</p>
<p>O Professor era personagem a parte ali no ambiente. Bicha-velha, por assim dizer, se dava com a patota e tinha seu respeito. Isso muito me intrigava. Os caras mal instruídos que frequentavam o bar sujo e apertado batiam com o santo do Professor. Talvez por ele ter lá seu grau de educação, ou pior. Corria à boca-miúda que Professor fazia isso e aquilo com fulano e sicrano. Ou como se diz por aí &#8220;dava o cu amuado&#8221;. Indícios havia poucos, e nem sei se esse assunto iria interessar pro sujeito ali quieto que deixava bailando no ar sua indiferença. Mas caso é que o Professor soltou na minha orelha que o sujeito &#8216;tava me encarando, e isso nem é coisa que se diz pra nego trabalhado na cana. Eu não vi o puto tirar uma só vez os olhos daquele lixo que ele encarava como eu encararia uma revista de mulé pelada. Mas sangue também se ferve na base da insinuação.</p>
<p>Ninguém reparou na ousadia do Professor, nem mesmo o Seu Chico percebeu um movimento estranho quando afastei a banqueta e ensaiei um passo depois do outro em direção à calçada. Dentro do bar, duas mesas dividiam espaço com engradados de bebida e os freezers verticais. Na calçada, três mesas recolhiam o que sobrava. Toda sorte de trabalhadores braçais, migrantes nordestinos, gente sem eira nem beira. Deve haver um milhão de bares por aí assim, não fica difícil ver a cena. Fato é que eu encarnei com o sujeito de camisa xadrez e papel na mão que não se misturava. Fui me chegando na mesa, chutando tampinhas e bitucas do chão até ver que o cara ali não passava de um figurinha de vinte e poucos. Não era só papel, tinha caneta também. A gracinha que mal tinha barba &#8216;tava escrevendo, preenchendo uma folha e engatando na próxima. Era rato ligeiro na munheca. Olhei pra dentro do bar, o papo no balcão se ocupava em tirar fulaninho que tinha voltado do banheiro com as calças mijadas. &#8216;Pica torta&#8217;, gritava o Professor, enquanto o Seu Chico passava o esfregão aos risos. Ninguém de olho na minha.</p>
<p>Colei na mesa, puxei a cadeira, me convidei pra sentar. O guri continuou, fez que não ligava, não deu a mínima. Cheguei mais perto, apoiei os cotovelos na mesa e encarei o moço. Ele só fez puxar as folhas pra si e continuou a escrever, não parava, lhe fazia gosto aquilo. Olhei pr&#8217;os lados, recostei na cadeira de plástico e busquei no bolso do jeans surrado um cigarro. Acendi e fiquei olhando pro céu escuro, sem nuvens. As baforadas subiam lentamente, o clima pesado impedia a fumaça de se desfazer. Subia uma massa cinza devagar em direção à luz do poste. Olhei pro moleque, dei mais uma tragada e recobrei o ar pra emendar num tom de garganta seca, &#8216;e aí, escreve o quê, maninho?&#8217;. O rapaz parou um segundo, levantou os olhos e me fitou contemplativo. Se voltou pra folha e continuou o exercício do rabisco sem abrir o bico.</p>
<p>Sabe, eu não costumo mexer com quem não mexe comigo. E o caso aqui me parecia claro. O guri só queria ficar na dele, escrever o que fosse sem causar problema algum. O que eu pudiria fazer? Aqui no bar se tem respeito pelos tipos, é cada um na sua. Afastei a cadeira e quando fui me levantar saquei o Professor de olho na minha. Os olhos dele diziam &#8216;e aí, qualé? vai deixar barato a desse cara?&#8217;. Não entendi o porquê o Professor resolveu instigar o mal. Fez um movimento com a cabeça, &#8216;vai lá, descobre qualé a do mané&#8217;. Me voltei pro menino e fui mais agressivo, &#8216;tá ouvindo não, camaradinha? Falei contigo. Tá escrevendo o quê?&#8217;. O guri, então, parou, recolheu a papelada e se pôs calado, me encarando. &#8216;Tem alguém surdo aqui? Tô falando contigo, tá com algum problema, maninho?&#8217; e nada do guri abrir a boca. Do canto do olho via o Professor balançar a cabeça. Podia ouvir a voz dele na minha cabeça, &#8216;vai mesmo deixar o carinha tirar com a sua? ele tá te gozando, irmão&#8217;. Cacete. Não é assim que a banda toca.</p>
<p>Quem já teve um teto preto sabe que raiva não é diferente. Se perde o foco e fica difícil recobrar a visão. O que se passou depois, eu só sei porque me contaram. Fiquei a imaginar a cena um sem número de vezes. Não me via fazendo picas daquilo ali, aquele não era pra ser o papai aqui. Mas quem me contou foram os olhos ébrios daqueles que dividem balcão comigo, e pela cumplicidade de bar, não se mentia e não se omitia o que debaixo desse teto corria. Baita falta de senso, eu julguei. Mas nem sabia ao certo se faltou juízo à minha figura ou à do guri. Já tinha revisto a cena tantas vezes que nossas imagens não se distinguiam. Era tudo um borrão, mistura do xadrez da camisa, do dourado da cerveja e vermelho vivo do sangue. Só não sei se o sangue era dele, ou meu, ou dos dois. &#8216;Tava tudo misturado.</p>
<p>&#8216;O Paulinho ouviu um grito e um tapa na mesa&#8217;, me falou cheio de dedos o Osvaldão. &#8216;Meu irmão, o que foi aquilo? Nunca te peguei assim, parcerage. Tu tava forinha de si&#8217;, isso foi o que o Paulinho entregou depois. O Trouxa, que tinha esse apelido por motivos óbvios, não me pareceu muito besta, &#8216;cara, você levantou virado num pentelho. Ia sobrar pra quem se metesse a apartar, e tu sabe que eu nem sou metido a valente, né?. Sei sim, Trouxa. Fica peixe que a bronca nem era sua. O Professor só riu. Disse que voou mesa, cadeira, copo e tudo mais o que havia ali na minha frente. Tudo de uma vez. Ele contava e se abria, isso divertiu a bicha-velha mais que caralho. &#8216;Tava quase certo de que era ele quem &#8216;tava me tirando desde o começo dessa história mal arrumada. O Chico me ofereceu um abraço e disse que isso acontecia, era coisa da vida e da noite, ninguém tinha culpa, que eu não deveria encucar. Seu Chico era assim, não cobrava respeito, o tinha porque era esse grande coração aberto, esse abraço sincero. Mas ainda faltava alguma coisa, as peças não se encaixavam. &#8216;Tu furou o guri, foi isso que se assucedeu. E furou com gosto, veja só&#8217;, falou num tom de sensatez o Baiano, sujeito de mais de 50 e que eu não via dar ponto sem nó.</p>
<p>&#8216;Furei o guri&#8217;, pensei comigo. O estômago vazio e a azia comandando. Naquela altura, o diabo não tinha mais voz na minha cabeça. Era só a culpa e a dúvida. &#8216;Ele vai ficar bem, esquenta não, amigão&#8217;, falou o Chico, mais uma vez, cheio de complacência. Devia de ser mesmo. &#8216;Na vida se aprende é com as cicatrizes&#8217;, soltou o Chicão, meio que falando pra si, enquanto passava pano na bancada.</p>
<p>Dias depois, me chamou num canto do bar o Paulinho. Tinha nas mãos um punhado de folhas respingadas de sangue. &#8216;Ó, aqui. No meio da confusão, catei esses papel e mantive na cocó até a puera baixar. É pra ti&#8217;. Se buscava motivo, &#8216;tava ali pintado e bordado nas linhas do papel pautado. O guri havia destrinchado, figura a figura, cada um ali no bar. Cada qual na sua miséria, fazendo pouco daquilo que a gente mantinha com respeito. E quem vive de bar bem sabe, &#8216;o que debaixo desse teto corria, pra rua não saia&#8217;.</p>
<p>O conluio seguia no bar e somente no bar, não havia mundo fora disso.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/37/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=37&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Na secura</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 14:32:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estórias Perdidas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ih, você de novo. &#8220;Oi&#8221;. Acendo um cigarro meio sem jeito, tento espantar  o beijo, o rosto. Vem tudo junto, me atrapalho mais. Toquei fogo no filtro e você me beijou mesmo assim. Descabido. &#8220;Li as coisas que tu escreve&#8221;. Não, não diviria. A gente não precisa dessa intimidade, sabe. Puro acaso a gente aqui.&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/08/26/vencido-pelo-cansaco/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=28&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ih, você de novo.</em></p>
<p>&#8220;Oi&#8221;. Acendo um cigarro meio sem jeito, tento espantar  o beijo, o rosto. Vem tudo junto, me atrapalho mais. Toquei fogo no filtro e você me beijou mesmo assim. Descabido.</p>
<p>&#8220;Li as coisas que tu escreve&#8221;. Não, não diviria. A gente não precisa dessa intimidade, sabe. Puro acaso a gente aqui. Não tô no clima de crítica, boa ou ruim. Vamos fazer assim. Lábios serrados, serradinhos&#8230;</p>
<p>&#8220;Gostei muito. Tu tens ritmo,  a coisa flui bem&#8221;. Estragou tudo, ferrou meu dia. Arregaço com o maço de Marlboro, meio que amasso toda a embalagem vasculhando, tateando um último cigarro perdido. Tá ali o bendito puto, malajambrado. Acendo trêmulo. Sei.</p>
<p>&#8220;Tu deveria escrever mais, tu leva jeito&#8221;. Levo nada, diviria nada. Transo um silêncio, uma folha branca. Meu estômago vai começar a revirar, melhor pedir um chope. Ocupar a boca, ensaiar um meio-sorriso entre um gole e outro. O garçom não me ouve. Não tô pra escândalo. Chega cá, amigão, desce uma gelada que o tempo tá seco pra burro e eu preciso empurrar essa conversa garganta abaixo. O mano demora, parece distante anotando o pedido. Desvia o olhar pra lá e pra cá. É só um chope, não tô pedindo pra virgem descer do altar. Você continua, tirou o dia pra acabar comigo.</p>
<p>&#8220;Adorei aquilo que tu disse sobre&#8230;&#8221;. Não faço ideia de como você terminou a frase, se terminou ou insistiu no erro. Me perdi no garçom e no chope que demora. Uma mão batuca a mesa e a outra quase queima junto com o filtro do Marlboro cor azul. Não, a guimba nada tem de azul fora o emblema. Penso que cor de cigarro só te adianta o tempo que falta prum câncer pintar sem cerimônia. E por falar em tempo, cadê meu chope? Se essa conversa se demorar mais, vou começar a pensar que um câncer não seria tão ruim assim. Você realmente tirou o dia pra me ferrar, tá adorando isso.</p>
<p>&#8220;Tu tens opinião, gênio forte. Faltam caras com esse tesão pra escrita&#8221;. Vou matar o menino quando ele vier com a bandeja. Agarrar ele pelo pescoço, atirar o palhaço no chão e pisar a cabeça chata dele. Dá pra descer um chope, argumento com uma moça que me parece ser garçonete, cabelo em coque e comanda na mão. A moça me fita de lado, quase não vira o pescoço. Agora eu percebo que os garçons desse bar usam essas comandas eletrônicas com tela sensível, canetinha ridícula pinçando os pedidos. Aquilo na mão da mina poderia ser um celular, sei lá. Não tenho mais certeza de nada, tenho sede e essa conversa já me deu nos ovos. E por falar em ovos, o tesão mínimo que eu sentia por você sumiu no instante em que você sentou na minha frente e abriu a boca. O seu batom tá descascando e a matraca não para.</p>
<p>&#8220;Sabe a minha tese? Então, andei pensando em citar umas coisas suas. Cheguei num ponto que o trabalho convergiu pra uma coisa nova e me pareceu uma boa&#8221;. Pois, pra mim, pareceu uma péssima. Tava cá eu no meu canto, me ocupando com nada, dando a mínima pro tempo e pra vida. Por que picas tu me pegou pra santo? E esse rímel tá tipo uma crosta nos seus cílios. Você quase não pisca, vidrada na minha. Quando pisca a merda toda se esfarela e suja seu rosto com pequenos pontos negros. A maquilagem se desfaz. Você nem é bonita, não é do tipo que eu levaria pra cama. Tudo não passou de um lapso, entende? Garçom! Garçom! Me acode que a coisa tá feia, irmão. Esquece o chope baby. Me traz um desses canecos grandes. Ninguém me ouve. Nem mesmo você.</p>
<p>&#8220;Conheci umas pessoas que iriam se amarrar nas tuas coisas, poderia fazer um lado, te adiantar algo. Você não disse que tava precisando de emprego?&#8221;. Se disse, estava bêbado. De você, não quero nada além de uma boca fechada. Não preciso de nego de olho na minha, medindo minhas palavras e dando pitaco. Mas você não entenderia, sequer ouviu uma palavra do que eu disse. Tá muito ocupada em invadir minha vidinha. Deixa cá o puto sozinho. Será que ninguém me ouve nesse bar? O cigarro acabou e a mina tirou a noite pra medir o meu pau. Minha garganta tá parecendo o Ténéré e eu tô prestes a ter uma síncope. Reparo nos carros lá fora, desvio o olhar pro que posso. Vultos na calçada e agitação do outro lado da rua. Aquilo é uma boate? Parece. O boy passou com um som tão alto que anulou o ambiente por alguns segundos. Bom seria se fosse a noite toda. Olho pra você e vejo a alça do soutien bege fugindo da sua blusa. Tá de boi, só pode. Mulher nenhuma me é interessante com lingerie cor de pele. Só não é mais brochante do que esse teu papo sobre mim. Garçom!</p>
<p>&#8220;E como estão as coisas na casa nova? A imobiliária deu retorno daquele problema no piso?&#8221;. Não, não e não. Não quero entrar em nenhum pormenor da minha vida contigo. Vaza daqui, pinota. Eu poderia viver muito bem sem essa vontade de te estrangular que tá ficando cada vez mais latente. Vou pedir a conta, jogar uma desculpa e pisar pra outra biboca. Se não colar, foda-se, melhor. Assim não veria sua cara tão cedo. Não é por mau, me entenda bem. Não sou muito de conversa. No outro dia, eu tava carente, insone. Pensei que uma trepada não faria mal. Nada pessoal. Vamos fazer assim, cada um segue teu rumo e quem sabe a gente não se tromba por aí. Essa cidade é grande mas a gente vive se topando, quem sabe tu não me pega trêbado numa dessas praças. De certo vou estar mais sociável. Quem sabe?</p>
<p>&#8220;Pensei muito naquele dia, não sei por que a gente não se falou mais. Mas, poxa, estamos aqui&#8230;&#8221;. O típico caso da mal amada que se faz de desentendida. Saquei. Todo um rodeio, tentou amaciar meu ego, puxou pra minha vida e chegou onde queria. Só a porcaria do chope que não chega. Não volto mais nesse bar. Aliás, eu bem que poderia passar um tempo sem sair de casa, sozinho na minha, longe desse papo besta de boteco, de noite. Disso tudo que me anula e me põe pra baixo. Perda de tempo. Se essa vagabunda começar a chorar, enfio-lhe a mão na cara. Nunca fui um tipo piedoso. Quem pede pena merece da vida só chibata. É isso que você quer, né? Todas são iguais. Saem do buraco e se arrastam até aqui com conversa mole, ensaiando um charme furado, essa pose de coitadinha. Mas tu não me pega nesse trote cabuloso. Tá pra nascer a biscate que vai me dar o nó. Fico cego de raiva. Certeza que vou ter uma síncope. Será que ninguém me ouve nesse bar?</p>
<p>Garçom! Passa a régua que hoje a madame aqui vai levar, que eu não sou homem que se tira e deixa de por. Tu chegou onde queria, né bichinha? Pois prepara as ancas, não mandei mexer com quem tá quieto. Garçom! Porra, camarada, chega junto. Cadê essa comanda? Tu quer mesmo que eu dê chilique? Precisa disso? Eu fico cego de raiva. Cego, ceguinho. Cadê a mina? Foi no Banheiro? Cadê o garçom com a conta? Será que vai vir um chope a mais? É hoje que eu tenho uma síncope.</p>
<p>Será que ninguém me ouve nesse bar?</p>
<p><em>(&#8230;)</em></p>
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		<title>Tá rindo do quê?</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 21:20:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leo Trindade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Monólogo]]></category>

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		<description><![CDATA[Comece o texto com uma afirmação polêmica pra chamar atenção. Eu odeio stand-up comedy, não vejo a menor graça. Na verdade, odeio toda e qualquer forma de autopromoção. Mas blog não é uma forma de se autopromover? Pode ser, se você ficar divulgando pr&#8217;os colegas e os nem tão colegas assim. Se você não mostrar&#160;&#8230; <a href="http://dentesquebrados.wordpress.com/2010/08/24/ta-rindo-do-que/">Read&#160;more</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=17&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Comece o texto com uma afirmação polêmica pra chamar atenção. </em></p>
<p><strong>Eu odeio stand-up comedy</strong>, não vejo a menor graça. Na verdade, odeio toda e qualquer forma de autopromoção. <em>Mas blog não é uma forma de se autopromover?</em> Pode ser, se você ficar divulgando pr&#8217;os colegas e os nem tão colegas assim. Se você não mostrar pra ninguém, fingir que não existe e reconhecer que o que você escreve é tão ruim que não merece atenção, aí, não é não.</p>
<p><strong>Eu odeio stand-up comedy, mas gosto do Seinfeld</strong> &#8211; uma grande contradição, já que o Jerry deve ser o maior deles. Aí tem toda essa onda do modismo que atinge o Brasil de forma sazonal. Sempre querem enfiar uma novidade goela abaixo ou rabo adentro da população. E essa porcaria nem é nova. O Chico Anysio fazia isso com maestria quando os pais daqueles caras do programa-franquia da Rede Bandeirantes nem tinham gala. Mas é novidade essa grande boçalidade, toda essa vontade de aparecer.</p>
<p><em>É o mau desses tempos. Superexposição do caralho, manja?</em></p>
<p>Pode ser. Mas nem era sobre isso que eu ia escrever. Na verdade, eu entrei aqui por engano, a porta &#8216;tava aberta e eu vim dar uma espiada. <del datetime="2010-08-24T20:03:11+00:00">Mentira</del>. Decidi escrever porque minha cabeça anda cheia de coisa, e escrever é essa pederastia de se abrir, ser confessional (será?), escancarar o rabo pra todo mundo ver seus bofes como modo de terapia. Voltamos a superexposição. Parece que esse é o tema do texto, mas nem é. Temos aqui um caso de tema incidental. E pior: esse pode passar a ser o tema central já que não havia tema algum. É todo um pretexto p&#8217;ra divagar. A coisa vai fluindo e pá-pum: arranjei uma pauta.</p>
<p><em>Você não vai cair no lugar-comum que é achincalhar a internet e o modus-operandi da coisa toda, né?</em></p>
<p><strong>Porra.</strong> Claro que não. Eu prefiro cortar um mindinho. Cada um faz o que quer, sabendo ou não qualé seu objeto de desejo. O meu é falar uma porção de bobagens em sequência e provar que isso pode ser chamado de &#8216;texto&#8217;. Se não, não me incomodo com o resultado. Afinal, não sou lá de ter muitos pudores. Não me vexo disso nem daquilo. Escrever com polimento é coisa pra bicha. Mas bicha no mau sentido da coisa. É claro que existe bicha que escreve bem, sem recorrer a uma literatura sisuda e marrenta, aquela coisa de macho paleozóico. T&#8217;aí outra viagem errada. Gente que lava as mãos pra malhar a munheca. Né assim que funciona não, amigão. Uns cornos colocaram o texto literário n&#8217;um altar &#8211; coisa d&#8217;um passado neolítico. Literatura &#8216;tá na rua, &#8216;tá na boca de quem chupa e é chupado. Ou tu queria mermo ler só os cérebros sarados da acadimia? Desfaz o bico e vamos tocar o puteiro até o fim dessas linhas non-gratas.</p>
<p><em>E aí, dá pra voltar pro tema do texto?</em>.</p>
<p>Pode ser.</p>
<p>Eu posso estar errado, mas nunca a ficção foi tão importante na vida das pessoas. Tanto é, que os limites desapareceram. Na real, eu não estou errado e essa ideia também não é minha. Li n&#8217;um livro, um dos cinco livros que li na vida. E não tem nada de Focault nessa peleja. Li n&#8217;um livro sobre roteiros que passa longe de ser cabeça e elogia, inclusive, Duro de Matar e similares, porque sisudão, aqui é beecha enrustida. O maluco da gringa pregou que nunca se teve tanto acesso à ficção e eu construí aí uma ligação com o suposto tema do texto, a superexposição. Justifica alguma coisa? Não sei. Mas o despropósito me trouxe até aqui e eu acho que já escrevi muito pra voltar atrás e chamar a mamãezinha. Sacou?</p>
<p><em>Saquei. </em></p>
<p><strong>Vacilou, caiu na net.</strong> Essa é a beleza e a miséria da coisa. Baixar o vídeo de uma ex-chacrete de meia-idade dando pr&#8217;um saradão vale? Vale. Dar vacilo em público, pagar peitin, calcinha e rabicó também? Claro, isso vende até xarope pra tosse. Agora, se você se incomoda, danou-se. Vai ter que procurar assistência jurídica e rezar pra tua sextape não cair nas mãos de gordinhos mal-intencionados. T&#8217;aí mais um desses absurdos bonitos da rede: a gente &#8216;tá nas mãos dos nerds, esses caras que sempre morreram na mão tão vivendo d&#8217;isso. Só não é bonito se você transou de meia preta. Ter etiqueta na cama também vale.</p>
<p><strong>Fodeu.</strong> Tava sem assunto e &#8216;cabei fazendo um texto sobre internet, a superexposição e gordinhos nerds. Não ter assunto, conteúdo, entranha e consistência é outro mau destes tempos hedonistas. Mas vamos deixar essa peleja pra outro momento de abstração. Por enquanto, vá decorando os últimos vídeos engraçadões da internerd pra fazer sucesso no bar. Só não me chame pra beber com você.</p>
<p><em>E aí, foi bom pra você?</em></p>
<p>Doeu no começo, mas depois rolou legal. Mas eu ainda trocaria tudo isso por um boquete.</p>
<p><em>*PS: A imagem do Serra foi pura sacanagem. Quem me conhece sabe que vou votar nele. Acho a careca dele o maior tesão.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dentesquebrados.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dentesquebrados.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dentesquebrados.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dentesquebrados.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dentesquebrados.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dentesquebrados.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dentesquebrados.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dentesquebrados.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dentesquebrados.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dentesquebrados.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dentesquebrados.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dentesquebrados.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dentesquebrados.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dentesquebrados.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dentesquebrados.wordpress.com&amp;blog=14353988&amp;post=17&amp;subd=dentesquebrados&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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